Deles, podemos dizer que são dois vencedores do poder localizado...
Cresceram como líderes, em freguesias e Terras menorizadas durante
gerações pelo centralismo e arrogância figueirenses. Fizeram
da exploração dessa fraqueza a alavanca dos seus sucessos eleitorais.
Ambos se especializaram numa retórica primária, usando as identidades
locais com aparente entusiasmo, muita demagogia e alguma subtileza.

José
Elísio, percebeu que a dimensão política da sua freguesia e a sua
identidade histórica própria poderia ser um dos pilares das suas
reinvindicações. Carlos Simão entendeu que a manipulação da rivalidade
local seria a lógica ideal para aplicar na relação com o eleitorado.
O povo elege-os e não quer saber do que fizeram ou fazem para continuarem a ganhar.
Outra característica, esta em comum e, porventura, a mais
interessante, para a reflexão em torno do que eles consubstanciam e
representam no fenónemo político que se instalou em Portugal, após Abril
de 1974, está no facto de ninguém lhes conhecer nas respectivas
“ilhas” de influência, sucedâneos à altura dos feitos passados, ou tão-só do carisma do presente.
À volta do autarca de Lavos, gravitam figuras cinzentas, perfeitamente adaptadas à imagem de marca de José Elísio –
“Ou vai, ou racha”!...
Em redor de Carlos Simão, pululam figuras folclóricas para compor o
ramalhete, sem voz nem vontade próprias, o que é o ideal para a
estratégica pessoal do
chefe.
Não sei, de todo, se esta incapacidade de criar legados de liderança, é
a matriz do traço cultural de Lavos e da Cova-Gala, ou uma
consequência da mudança de paradigma ocorrida em Portugal desde 1974….
Sei, isso sim, que é urgente que chegue ao poder uma nova geração de lideres...
E não só em Lavos e na Cova-Gala….
Isto, a meu ver, é urgente em todo o País…
Fonte
:Outra Margem