Leia aqui o discurso que João Ataíde proferiu ontem, na apresentação da
sua recandidatura à presidência da Câmara Municipal da Figueira da Foz,
encabeçando a lista do Partido Socialista:
«Caros amigos
Volvidos quatro anos de árduo e intenso labor,
eis-me de novo perante vós predisposto a aceitar o desafio de liderar os
destinos do nosso concelho.
Orgulho-me de ter chegado aqui e neste
reencontro vos poder dizer, com a consciência tranquila, que realizámos e
alcançámos muito bons resultados para a Figueira da Foz.
Desenganem-se os que pensam que foi fácil, porque não foi. É sabido, mas
nunca é demais reafirmá-lo, que tivemos de gerir uma pesada herança
que, em muito boa parte, condicionou todo o nosso mandato.
Em 2009, quando iniciámos funções, a Figueira da Foz tinha
- Uma dívida municipal na ordem dos 90 milhões de euros, a maior de que
há memória, sendo nós o 11º concelho do país com maior endividamento;
- éramos o quinto concelho do país com menos liquidez, o nono com
piores resultados económicos e o oitavo cuja divida a fornecedores era
superior a metade das receitas totais.
E acima de tudo, tínhamos
- Um concelho onde a auto-estima estava muito baixa, o orgulho se
encontrava ferido e o sonho de quimeras vãs habitava o nosso quotidiano.
- Nestes quatro anos, meus amigos, e quando olho para o caminho que
arduamente percorremos, sinto a satisfação do dever cumprido.
- Saneamos as finanças municipais e restabelecemos a confiança aos fornecedores do município;
Quando comparamos os resultados financeiros de 2009 com os de 2012
percebemos com exactidão o muito que fizemos. Constatamos que já não
estamos na lista dos 50 que têm a mais baixa liquidez, já não estamos na
lista dos 50 que devem aos fornecedores mais de metade das suas
receitas, já não estamos na lista dos 50 que têm maior endividamento
líquido.
Estamos, isso sim, entre os 50 que possuem maior
independência financeira, entre os que têm maior volume de receita
cobrada, entre os que mais diminuíram o seu passivo exigível.
E
sabem porquê? Porque pagamos 15 milhões da dívida que herdámos. E este
honrar de compromisso, faz com que a Figueira da Foz seja o 8º concelho
do país que maior volume de encargos financeiros pagou e o 12º que mais
amortizou aos seus empréstimos. E estamos a falar de mais de 300
concelhos em todo o país.
Colocámos a Figueira da Foz no quadro de
honra das finanças municipais. Digam-me, pois, se devemos ou não estar
orgulhosos do nosso trabalho? Claro que sim, claro que sim.
Mas, meus amigos, fizemos mais:
- Pusemos a máquina camarária a funcionar de forma eficiente e capaz e
com menos custos, reduzindo o funcionamento em cerca de 5 milhões de
euros;
- Reestruturamos o sector das onerosas e endividadas empresas
municipais, pois só a Figueira Domus era, no país, a 15ª empresa
municipal com maior endividamento;
- Arrancámos com a revisão do PDM
e com a elaboração da Agenda Local 21 e do Plano Estratégico e fizemos a
revisão do regulamento do Plano Director resolvendo vários problemas
que há muito se arrastavam e que prejudicavam muitos figueirenses.
-
Resolvemos inúmeros estrangulamentos, processos difíceis e situações de
grande fragilidade para o município, que hoje já ninguém fala;
- e, finalmente, fizemos obra,
Nestes quatro anos a Figueira da Foz orgulha-se de ter passado a ter um
património muito mais rico ao serviço dos figueirenses; cito-vos alguns
casos:
- o novo centro escolar de S. Julião/Tavarede;
- o requalificado castelo engº Silva;
- uma nova envolvente do forte de Stª Catarina e o arranjo das principais artérias do Bairro Novo;
- A marginal ribeirinha requalificada e aproveitada para a cidade;
- um Mercado municipal novo e moderno;
- o campo de relva sintética do estádio José Bento Pessoa;
- O parque de estacionamento da Av. De Espanha requalificado;
- O parque de campismo recuperado;
- As escolas do Viso, de Moinhos da Gândara, da Borda do Campo e de Netos, recuperadas;
- A reabilitação urbana;
- E o assegurar de todos os serviços aos munícipes, cada vez com mais
qualidade e mais baixo custo, com destaque para o plano de eficiência
energética e a recolha de resíduos.
Orgulho-me, portanto, do
que fizemos e por isso estou disponível para prestar contas aos
figueirenses numa campanha tranquila, feita com elevação e
transparência.
Também me orgulho, obviamente, por ter estado com o
Partido Socialista nesta caminhada e por inscrever na sua história um
momento marcante da nossa vida autárquica. Estou convicto e não sinto
ser imodéstia dizer, que nunca se fez tanto com tão poucos meios.
Pois, meus amigos, volvidos quatro anos aqui estou. E estou, fundamentalmente, por três razões:
1ª, porque os figueirenses assim o exigem; posso dizer-vos que por todo
o lado senti um forte apelo e um incentivo à minha recandidatura;
2ª, porque sinto que fiz, de forma responsável, com dedicação e muito
trabalho o que era possível e necessário, dadas as circunstâncias e os
condicionalismos que tivemos que enfrentar;
3ª, porque é necessário
consolidar agora aquilo que iniciámos, porque nestes quatro anos também
preparámos as condições que permitirão agora fazer muito mais.
Neste sentido, falta trabalhar pelo desenvolvimento económico, em particular o triângulo turismo / indústria / mar.
Estão agora lançadas as bases para o fazermos, com a instalação da nova
zona industrial, as empresas que ajudamos a manter abertas e as que
virão, bem como, com os projectos que já temos em carteira.
A
educação, o apoio social e a cultura, que deram um salto qualitativo nos
últimos anos, estão agora numa dinâmica que não pode parar e para a
qual continua a ser precisa muita energia e imaginação.
Criámos as
condições para dar mais atenção e autonomia às freguesias e poder ajudar
a relançar, também nelas, factores diversos de desenvolvimento
económico e de apoio social. Mas para haver agora essa disponibilidade,
tivemos que fazer sacrifícios que, tenho a certeza, todos estão em
condições de compreender.
Na verdade,
Sentimos hoje que os
agentes económicos e os actores sociais acreditam em nós, confiam e
depositam esperança no nosso trabalho honesto e dedicado, e esse é o
nosso maior capital, um capital que muito nos custou a conquistar e que
não podemos agora, de forma irresponsável, desperdiçar e deixar fugir.
Por isto, meus amigos, aqui estamos. Eu e todos vós. Chegámos aqui de
forma árdua mas mantivemos a fé e a confiança nos figueirenses. Aqui
deixo uma palavra de gratidão aos que estiveram comigo de forma
inabalável durante os últimos quatro anos, que me apoiaram e
entusiasmaram e que me deram conforto para prosseguir. Um obrigado a
todos esses;
Aqui deixo também uma palavra aos que agora iniciam
esta caminhada comigo, aos que aqui estão e aos que se nos vão juntar:
não nos espera uma tarefa fácil, mas estou convencido que sabemos o que
queremos e que a visão que temos da Figueira do futuro há-de ser o nosso
caminho e o nosso farol: um concelho moderno, tranquilo, de primeira
linha, orgulhoso das suas belezas naturais, em particular das suas
praias, um concelho da terra e do mar, da história e do progresso, com
qualidade de vida e que seja o orgulho de todos nós.
Viva a Figueira da Foz»